Cursos de Direito e Serviço Social promovem debate sobre segurança pública

17/04/2008

Alunos lotam o auditório da Fits

Os cursos de Serviço Social e Direito da Fits realizaram na manhã da última sexta-feira dia, 11 de abril, no auditório do Campus Amélia Maria Uchôa, palestras sobre a violência e a segurança pública em Alagoas, analisando o panorama da segurança do Estado. Estavam presentes os professores Dario Arcanjo, diretor da Fits, Silmara Mendes, coordenadora do curso de Serviço Social, e Antônio Freitas, coordenador do curso de Direito.

Os coordenadores dos referidos cursos tiveram a preocupação de trazer para esse debate pessoas de altíssimo gabarito, representantes dos poderes que constituem a segurança pública. “Buscou-se trazer representantes de segmentos sociais – Executivo, Judiciário e Ministério Público –, pois esse tipo de evento já faz parte do nosso cotidiano, procuramos sempre o intercâmbio dos nossos alunos com os problemas sociais”, afirmou Freitas.

O representante do Poder Judiciário, o juiz de direito Marcelo Tadeu, da 16ª vara de execuções penais do Estado de Alagoas, falou sobre Tolerância Zero como proposta de segurança pública. “Tolerância zero já existe há muito tempo em Alagoas. A violência na periferia tem a ver com a ausência do Estado,” afirmou o magistrado.

Juiz de direito Marcelo Tadeu

Outro ponto abordado como causa da violência foi a estrutura familiar. “Uma grande parte das pessoas que cometem crime, quando interrogada, é constatada a ausência dos pais. Quando há ausência do Estado, não há educação. O direito penal nunca soluciona conflitos. Devemos ter uma justiça recuperativa e preventiva. O setor prisional é um lugar onde existe uma grande desigualdade social entre os crimes e os criminosos. A classe pobre está cada dia mais pobre; a classe média cada dia procura se igualar à classe rica, com isso começa acontecer um tipo de crime mais freqüente, que é o indivíduo se endividar e não conseguir pagar suas dívidas, conseqüentemente, começa a cometer delitos. É difícil combater a violência com esse caos desestruturado que aí está”, encerrou o palestrante.

Continuando com as palestras, a promotora pública Karla Padilha comentou também sobre todo o sistema prisional não só no Estado de Alagoas, como também no Brasil. “Precisamos de uma revisão de valores. Pobreza não é sinônimo de criminalidade”, afirmou. Em seguida, abordou-se a exploração das crianças pelo mundo do crime, que desde cedo já começam a ser aliciadas e atraídas para o tráfico e a criminalidade.

“O poder paralelo cresce com a ausência do Estado. O Poder Executivo é a maior autoridade para combater o crime. A corrupção é o mal maior que existe entre o poder e os recursos, que é o direito do cidadão. A sociedade já está revendo seus conceitos para com a corrupção”, encerrou Padilha.

Finalizando o ciclo das palestras, o diretor geral da Polícia Civil do Estado de Alagoas e professor do curso de Direito da Fits, Marcílio Barenco, comentou sobre a responsabilidade da sociedade. “Cada um de nós deve fazer a sua parte. Já estou cansado de prender pobre. Quero prender o engravatado que está por trás de tudo”, afirmou Marcílio Barenco. “Precisamos ter mais educação nos presídios, pois sem educação o criminoso muitas vezes ou sempre sai pior do que entrou. Temos visto pessoas serem presas por roubarem besteira, e outros roubam cada vez mais e se escondem por trás muitas vezes de um cargo que ocupa, e o pior: é eleito pelo cidadão para defender seus direitos”.

Em seguida, os palestrantes fizeram as suas considerações finais. “A crise é muito mais ética do que de recursos”, afirmou Marcelo Tadeu. “O povo estava acostumado com o vício de quem tem mais manda. Estou alegre porque as coisas estão mudando aqui no nosso Estado. Precisamos, sim, cortar a nossa própria carne”, encerrou Karla Padilha.

Finalizando o evento, o professor Dario Arcanjo comentou: “O mais importante é que saímos dessa reunião com mais consciência com a sociedade. Podemos nos perguntar o que nós como instituição e alunos podemos fazer? Nenhum conhecimento vale a pena sem a socialização. Nós estamos preocupados também com as comunidades em torno do campus. Esse modelo que aí está só vai mudar quando decidirmos fazer a nossa parte. Nós podemos dar uma grande contribuição para a sociedade. Que fique essa consciência de que somos parte da sociedade também”, encerrou o diretor da faculdade.

A Fits acredita que a educação é o único instrumento capaz de formar profissionais comprometidos com um futuro mais próspero para a sociedade.

Promotora pública Karla Padilha
Diretor geral da Polícia Civil do Estado de Alagoas, Marcílio Barenco




Após as palestras, alunos participaram de um debate
Antônio Freitas, Marcelo Tadeu, Karla Padilha, Dario Arcanjo, Marcílio Barenco e Silmara Mendes

Texto: Alisson Laprega
Fotos: Etni Pereira


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